sexta-feira, 4 de abril de 2014

Cuti, professor, escritor e poeta

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Cuti é o pseudônimo de Luiz Silva, professor, nascido em Ourinhos/SP, graduado em Letras pela Universidade de São Paulo, em 1980. Mestre em Teoria da Literatura, doutor em Literatura Brasileira pelo Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, ingressou na carreira literária em 1978.

Sua obra é marcada pela defesa de uma literatura e de uma dramaturgia focadas no negro brasileiro. Tem mais de 15 livros publicados, entre contos, poesias, fica, teatro e ensaios.

Alguns títulos: "A consciência do impacto nas obras de Cruz e Sousa e de Lima Barreto", tese de doutorado, "Negros em Contos", "Literatura Negro-Brasileira", "Lima Barreto e Negroesia".

Ele é um dos idealizadores do Quilombhoje-Literatura, grupo paulistano de escritores fundado em 1980, focado em estudos e debates sobre literatura negra.

Fonte: Quilombhoje
Visite: 
www.quilombhoje.com.br

POEMA TRINCHEIRA

Falaram tanto que nosso cabelo era ruim
que a maioria acreditou e pôs fim

(raspouqueimoualisoufrisoutrançourelaxou...)

ainda bem que as raízes continuam intactas
e há maravilhosos pelos crespos
conscientes
no quilombo das regiões
íntimas
de cada um de nós.

QUEBRANTO

às vezes sou o policial que me suspeito
me peço documentos
e mesmo de posse deles
me prendo
e me dou porrada

às vezes sou o porteiro
não me deixando entrar em mim mesmo
a não ser
pela porta de serviço

às vezes sou o meu próprio delito
o corpo de jurados
a punição que vem com o veredicto

às vezes sou o amor que me viro o rosto
o quebranto
o encosto
a solidão primitiva
que me envolvo com o vazio

às vezes as migalhas do que sonhei e não comi
outras o bem-te-vi com olhos vidrados
trinando tristezas

um dia fui abolição que me lancei de supetão no espanto
depois um imperador deposto
a república de conchavos no coração
e em seguida uma constituição
que me promulgo a cada instante

também a violência dum impulso
que me ponho do avesso
com acessos de cal e gesso
chego a ser

às vezes faço questão de não me ver
e entupido com a visão deles
sinto-me a miséria concebida como um eterno começo

fecho-me o cerco
sendo o gesto que me nego
a pinga que me bebo e me embebedo
o dedo que me aponto
e denuncio
o ponto que me entrego


às vezes...

Por

Cineasta, roteirista, cronista, ilustrador, educador, nascido na Vila Santa Isabel, Zona Leste de São Paulo.

1 comentários:

  1. ESTOU FAZENDO MINHA MONOGRAFIA SOBRE LITERATURA AFRO-BRASILEIRA E O MEU FOCO DE PESQUISAS SÃO AS POESIAS DE CUTI.

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© 2013 Rogério de Moura