• Hydrangeas
  • Jellyfish
  • Koala
  • Lighthouse
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  • Lighthouse
  • Espaço criado por Rogério de Moura

    Para mostrar que os negros mais são geniais do que supõe nossa vã filosofia.

  • André Rebouças Engenheiro,

    professor de botânica, cálculo e geometria na Escola Politécnica.

  • Tebas ele canalizou o Vale do Anhangabaú, em São Paulo.

    Também construiu o primeiro chafariz de pedra da cidade. Foi homenageado em samba enredo.

  • Osvaldo Sebastião Novaes de Moura professor

    Nos anos 60, ser professor negro não era coisa fácil.

  • Hattie McDaniel cantora e atriz

    A primeira atriz negra a ser contemplada com o Oscar.

  • Paulo Flores ator, dublador

    Uma das mais graves e belas vozes da dublagem brasileira.

  • Steve Biko ativista do movimento anti-apartheid.

    Participou da fundação, em 1968, da Organização dos Estudantes Sul-africanos.

  • Alexander Miles inventor.

    Patenteou o elevador elétrico em 11 de outubro de 1887.

  • Dorothy Counts estudante e ativista.

    Nos anos 60, foi símbolo contra a segregação norte-americano ao ser a primeira estudante negra admitida numa escola pública americana (de brancos).

  • Benedito Galvão O primeiro presidente negro da OAB-SP.

    A Comissão de Igualdade Racial da OAB-SP, promove o Prêmio Benedito Galvão para pessoas que se destacaram na luta pelos direitos dos negros.

  • Milton Santos Professor, geógrafo.

    Reconhecido mundialmente; recebeu, em 1994, o prêmo Vatrium Lud.

  • Abdias do Nascimento Ator, escritor, professor, teatrólogo, político ativista.

    defensor sem igual da cultura e igualdade para as populações afrodescendentes no Brasil.

  • Dr. Juliano Moreira Um dos pioneiros da psiquiatria brasileira.

    O primeiro professor universitário a citar e incorporar a teoria psicanalítica no seu ensino na Faculdade de Medicina.

  • Benedicto Lopes mecânico e piloto

    O primeiro piloto brasileiro a participar de corridas na Europa.

  • Pedro Lessa Juiz

    O primeiro afro-descendente a presidir o Supremo Tribunal Federal.

  • Miriam Makeba Cantora e ativista pelos direitos humanos.

    Medalha de Ouro da Paz Otto Hahn, outorgada pela Associação da Alemanha nas Nações Unidas.

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Nilo e Seus Cantores de Ébano





Grupo formado por Nilo Amaro (Moisés Cardoso Neves) e um coro de vozes negras femininas e masculinas (um soprano, um mezzo soprano, um contralto, dois baixos, um tenor e três barítonos), com destaque para o baixo Noriel Vilela. O conjunto fez muito sucesso na década de 1960. Seu repertório era composto de clássicos da música popular brasileira (sambas e sambas-canções) e do folclore, e de versões para o idioma português de spirituals dos negros americanos, sendo considerado o precursor da música gospel no Brasil.

Um de seus maiores sucessos foi a gravação de "Leva eu sodade" ("Oh! Leva eu/ Minha saudade/ Que eu também quero ir...").

Lançou dois LPs pela Odeon (1961 e 1963), reeditados, em 2000, na coletânea "Seleção de Ouro - 20 Sucessos - Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano", contendo as faixas "Uirapuru" (Murillo Latini e Jacobina), "Leva eu sodade" (Alventino Cavalcanti e Tito Neto), "Suas mâos" (Pernambuco e Antônio Maria), "A lenda do Abaeté" (Dorival Caymmi), "Azulâo" (Jayme Ovalle e Manuel Bandeira), "Minha graúna" (Avarese e Tito Neto), "Dorinha" (Ary Monteiro e Tito Neto), "Tammy" (Jay Livingston e Ray Evans), "Fiz a cama na varanda" (Ovidio Chaves e Dilu Mello), "Down by the riverside", "Greenfields" (Terry Gilkyson, Richard Deher, Romeo Nunes e Frank Miller), "Vaqueiro prevenido" (Jacobina e Manoel Macêdo), "Ellie Lou (You left me there in Charleston)" (Sigmam, Loose, Olias e Romeo Nunes), "Canção de ninar meu bem" (Gracindo Junior e Bidu Reis), "A lenda do Rio Amazonas" (Jairo Aguiar), "Urutau" (Murillo Latini e Jacobina), "Eu e você" (Roberto Muniz e Jairo Aguiar), "Devaneio" (Djalma Ferreira e Luiz Antônio), "Boa noite" (Francisco J. Silva e Isa M. da Silva), "Nobody knows the trouble I`ve seen" (Nat King Cole e Gordon Jenkins).

Nilo Amaro faleceu em Goiânia, aos 76 anos, no dia 18 de abril de 2004. 


Texto:
http://dicionariompb.com.br

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Luis Anselmo da Fonseca - médico e historiador (1842 - 1929)



Nasceu em Salvador, no ano de 1842.
Sarcástico, “a ele se atribuem inúmeros ditos de espírito, como de que,”os baianos só se reúnem  para a morte”
Grande abolicionista, escreveu “A Escravidão, o Clero e o Abolicionismo”, na qual tentou provar que o clero da época, não defendeu, como devia, a abolição da escravatura nem lutou pela causa dos oprimidos.
Fez os preparatórios capital baiana e depois ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, pela qual foi graduado em medicina em 1875, depois de defender tese doutoral intitulada “Quais as propriedades químicas, as ações fisiológicas e os efeitos terapêuticos do cloral e do clorofórmio? Em que relação se acham?”.
Ocupou, na Faculdade de Medicina da Bahia, os seguintes cargos: Concorrente à Seção de Ciências Acessórias (1877 – 1880). Preparador interino de Física (1882-1883). Professor Adjunto, por concurso, da cadeira de Higiene e História da Medicina (1883). Lente de Física Médica (1891-1901). Professor da cadeira de Higiene (1903). Professor Jubilado (1914).
Diretor do Hospital de Febre Amarela (hoje Hospital Couto Maia), de 1880 a 1884. Membro do Conselho Sanitário do Estado. Vereador do município de Salvador (1881 a 1884). Professor de Psicologia, Lógica e História dos Métodos e Sistemas Filosóficos do Instituto  Oficial do Ensino Secundário, depois denominado Ginásio da Bahia (1890).
Foi o Dr. Luís  Anselmo da Fonseca destacado médico, professor , homem de letras e profundo conhecedor da língua portuguesa.
De sua autoria é o “Projeto para reforma do ensino secundário da Bahia”,bem como outros trabalhos sobre assuntos os mais diversos.
Mereceu de Caio Moura o seguinte elogio: “Na Bahia, não falando dos que fazem profissão de escrever, raros serão os que, mais do que o Prof. Fonseca, hajam escrito” (Eduardo Sá Oliveira).
Sua Memória Histórica da Faculdade de Medicina, referente ao ano de 1891, é considerada uma das melhores. Nela, dentre outros comentários, destaca-se o referente ao estilo livresco que caracterizava o ensino ministrado pelos professores da  Faculdade de Medicina, até 1866, ano em que surgiu a “Gazeta Médica da Bahia”: “A verbosidade, mais ou menos abundante, a memória vigorosa, a facilidade de raciocinar sobre idéias abstratas, a destreza na dialética, a erudição, ainda que nem sempre muito profunda, os requintes do classicismo gramatical, o gosto teatral, a ênfase, as exclamações, eram as qualidades por excelência e os dotes de eleição que não podiam faltar aos que ambicionavam a admiração e o renome” .
Além de médico, professor, homem de letras e grande abolicionista, foi Anselmo da Fonseca filósofo e polemista notável.
A propósito do espírito polemista, é conhecido nos meios médicos da Bahia o rumoroso  afaire do Prof. Anselmo da Fonseca com o Prof. Alfredo Britto, por ocasião do incêndio que praticamente destruiu o prédio da Faculdade de Medicina da Bahia, na noite de 2 de março de 1905. Os jornais de Salvador registram os “ataques continuados, acrimoniosos e impidosos, saídos à luz nas ditas folhas, assinados pelo celebrado e ilustrado lente de Higiene, Dr. Luis Anselmo da Fonseca e dirigidos ao distinto Dr. Alfredo Brito, diretor da veneranda instituição de ensino” (Antônio Nogueira Brito).
De sua bibliografia constam:
  1. “Envenenamento pelas estricnéas.” Tese de concurso. – Bahia – 1877.
  2. “Estudo dos éteres.” Tese de concurso. – Bahia – 1880.
  3. “A escravidão, o clero e o abolicionismo.” - Bahia - 1887.
  4. “Projeto para reforma do ensino secundário, na Bahia; transformado em regulamento do Instituto Oficial do Ensino Secundário.” – Bahia - 1890.
  5. “Memória Histórica da Faculdade de Medicina da Bahia concernente ao ano de 1891.” – Bahia - 1893.
  6. “A questão Acadêmica de 1901 na Faculdade de Medicina da Bahia.” – Bahia - 1903.
  7. “Higiene Pública, aplicada à cidade da Bahia.” - Revista dos Cursos da Faculdade de Medicina da Bahia. Tom. 6, 1908.
  8. Discursos, Manifestos, Polêmicas etc.
Anselmo da Fonseca faleceu em 1929. Em sua homenagem existe um bairro em Salvador, formado pela rua principal que tem o mesmo nome, pelo jardim Santa Teresa, Baixão e Vale do Matatu.
 Fonte:
http://ilustresdabahia.blogspot.com.br/2014/06

Lucindo Pereira dos Passos Filho - escritor (1847 - 1896)




Nome literário de Lucindo Pereira dos Passos Filho, escritor nascido em Diamantina, MG, em 1847 e falecido em Vassouras, RJ, em 1896. Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi combativo abolicionista. Deixou vasta obra, na qual se incluem trabalhos médico-científicos, poemas, ensaios históricos e estudos gramaticais.

Fonte:
http://neilopes.com.br

Francisco de Paula Brito - Tipógrafo, editor, fundador da sociedade petalógica, poeta e tradutor (1809 - 1861)


Tipógrafo, fundador da sociedade petalógica, ativista político, poeta e tradutor. Um dos primeiros contistas brasileiros. Precursor da imprensa negra no Brasil. Fundamental, como editor, na difusão do movimento literário do romantismo brasileiro. Defendia a imprensa livre e foi o primeiro a inserir no debate político a questão racial; atuou na valorização de um olhar étnico no cenário cultural com a Sociedade Petalógica.

Francisco de Paula Brito nasceu na então Rua do Piolho (hoje Rua da Carioca), no Centro do Rio de Janeiro em 2/12/1809. Filho do carpinteiro Jacinto Antunes Duarte e de Maria Joaquina da Conceição Brito. Dos seis aos 15 anos, morou em Magé, RJ, voltando ao Rio de Janeiro em 1824, em companhia do avô, o sargento-mor Martinho Pereira de Brito. Trabalhou em uma farmácia e, posteriormente, foi aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional. Mais tarde, empregou-se no Jornal do Commércio, onde foi diretor das prensas, redator, tradutor e contista. Casou-se em 1830 com Rufina Rodrigues da Costa. Um ano depois, abriu uma tipografia no Largo do Rossio (hoje Praça Tiradentes).

Durante a Regência, sua pequena loja tornou-se uma fábrica de pasquins. Foram muitos os que recorreram a seu trabalho para terem seus jornais impressos. Com a entrada em cena dos pasquins teve início uma guerra política nas quais os excluídos do poder, exaltados e caramurus, manifestavam sua insatisfação com os rumos políticos do país.

Ao manter em sigilo o nome dos autores dessas folhas, assumindo a responsabilidade e o risco de ser punido, segundo a legislação vigente que buscava reprimir abusos em relação a liberdade de imprensa, Paula Brito tornava-se cúmplice daqueles que o procuravam para terem seus trabalhos impressos. Sua loja tornou-se ponto de reunião de pessoas de diferentes partidos, criando um espaço de sociabilidade política diferente daquela instituída pelo Império. Defendia sua posição de impressor livre e imprimiu alguns jornais que apresentavam orientações políticas diferentes, principalmente aqueles que inseriam no debate político a questão racial. De sua tipografia saíram obras como "O Mulato" e o jornal "O Homem de Cor", o primeiro jornal brasileiro dedicado à luta contra o preconceito racial, o que lhe rendeu o título de precursor da imprensa negra.

A livraria/editora de Francisco de Paula Brito esteve associada ao movimento romântico, não só pelos autores que editou, mas principalmente por tê-lo difundido amplamente, como José de Alencar, Gonçalves Dias e Joaquim Manuel de Macedo. Paula Brito foi o primeiro editor de Machado de Assis. Além de editar livros, seu estabelecimento passou a ser ponto de reunião de intelectuais e músicos da época. Foi ele próprio quem sugeriu aos participantes dessas reuniões que criassem uma sociedade, a Sociedade Petalógica do Rossio Grande, uma entidade onde reinava o humor, muita música e poesia, a começar pelo titulo, pois peta significa mentira.

Paula Brito foi também um dos primeiros contistas brasileiros, escritor múltiplo produziu textos de teatro, contos e poesia. Entre seus contos e novelas publicados a partir de 1839 estão "O triunfo dos indígenas", "Os sorvetes e o Fidalgo Fanfarrão", "A revelação póstuma", "A mãe-irmã" e "O enjeitado".

Faleceu em sua residência, no Campo de Sant'Anna, nº 25 em 15 de dezembro de 1961. Seu cortejo fúnebre foi um dos maiores já presenciados na Corte, já que era personagem popularíssimo entre os intelectuais, músicos e artistas.


http://www.dicionariompb.com.br/paulabrito

Hamilton Naki, cirurgião (1926 - 2005)

Além do natural desejo de progredir e aperfeiçoar-se, em quase tudo o que fazemos está implícito o desejo inconsciente de ser reconhecidos pelos outros, admirados, aplaudidos. Este não é o caso do chamado “cirurgião clandestino”.

HamiltonNaki, que faleceu em 2005, aos 89 anos, começou como jardineiro na Universidade de Cidade do Cabo. Depois foi auxiliar de limpeza de jaulas do Departamento Médico e, após um tempo, trabalhou como anestesista de animais. O mais importante é que sua destreza tornou possível o primeiro transplante de coração humano.

A morte de Naki, condenado durante quase quatro décadas ao anonimato por ser negro, nos recorda um dos episódios mais vergonhosos da história da medicina moderna.

Na África do Sul racista do apartheid, onde havia diferenças no sistema jurídico em função da cor da pele, foi Christian Barnard – sul-africano branco – quem, em 1967, recebeu todas as honras por levar a cabo o primeiro transplante de um coração humano. Mas foi Naki, o humilde caronista, quem, naquela noite, tornou possível o que durante séculos foi um desafio impossível para a medicina.

Em 2 de dezembro de 1967, Denise Darvaald, uma jovem branca atropelada ao cruzar a rua, foi transferida com caráter de urgência ao Groote Schuurhospital, onde lhe foi diagnosticada morte cerebral, ainda que seu coração continuasse batendo.

Em outro leito do mesmo hospital, Louis Washkansky, um lojista de 52 anos, esgotava suas últimas esperanças de viver. Então, o Dr. Barnard decidiu tentar o transplante. Em uma épica intervenção de 48 horas, as duas equipes conseguiram extrair o coração da jovem e implantá-lo no corpo de Louis. Os assistentes recordam a delicadeza com que Naki limpou o órgão de todo vestígio de sangue antes de que Barnard voltasse a fazê-lo bater no peito do homem.

Mas o que fazia Naki, um cidadão de segunda categoria, que havia abandonado os estudos aos 14 anos por necessidade, no meio de uma das cirurgias mais destacadas do século? Talvez as palavras do célebre Barnard, pouco antes da sua morte, resumam isso: “Ele tinha mais perícia técnica do que eu jamais tive. É um dos maiores pesquisadores de todos os tempos no campo dos transplantes, e teria chegado muito longe se as condições sociais tivessem permitido”.

Nascido em 1926, em uma aldeia do antigo protetorado britânico do Transkei, tudo parecia condená-lo – como ao resto dos seus conterrâneos negros – a uma existência mísera no iníquo regime do apartheid. Pouco a pouco, suas capacidades foram lhe permitindo chegar a cargos de responsabilidade.

De limpar jaulas, passou a intervir em cirurgias de animais do laboratório, onde teve a oportunidade de anestesiar, operar e, finalmente, transplantar órgãos em animais como cachorros, coelhos e galinhas. De maneira encoberta, Naki havia se tornado técnico de laboratório.

O frequentemente ingrato trabalho de fazer experimentos com animais lhe permitiu desenvolver suas habilidades cirúrgicas: “Agora posso me alegrar por que tudo seja conhecido. A luz foi acesa e já não há escuridão”, disse esse herói clandestino ao receber, em 2002, a ordem de Mapungubwe, uma das maiores honras do seu país, pela sua contribuição à ciência médica. Até seus últimos dias, um dos maiores cirurgiões do século sobreviveu com um modesto salário de jardineiro.

O melhor que podemos desejar é que Deus seja o espectador das nossas ações. Ninguém é capaz de olhar para nós com melhores disposições, penetração e discernimento. É consolador saber que Deus conhece o mais íntimo dos nossos pensamentos, ações e sentimentos.


Texto: 
https://pt.aleteia.org/2014/06/03/um-dos-maiores-cirurgioes-do-mundo-desconhecido-por-ser-negro

Dr. Juliano Moreira (1873-1932)



Nascido em Salvador, Bahia, foi um dos pioneiros da psiquiatria brasileira. O primeiro professor universitário a citar e incorporar a teoria psicanalítica no seu ensino na Faculdade de Medicina.

Ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia em 1886, formando-se aos dezoito anos, em 1891, e se tornando professor na Faculdade.

Já em 1900 representou o Brasil em congressos internacionais. Foi eleito Presidente Honorário do IV Congresso Internacional de Assistência a Alienados, em Berlim.

Em 1903, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde seu trabalho na direção do Hospital Nacional dos Alienados, do Rio de Janeiro, humanizou o tratamento e acabou com o aprisionamento dos pacientes. 

Entre maio e junho de 1910, que o hospital recebeu o líder da Revolta da Chibata, João Cândido, para tratamento de uma psicose de exaustão.

Defendeu a ideia de que a origem das doenças mentais se devia a fatores físicos e situacionais, como a falta de higiene e falta de acesso à educação, contrariando o pensamento racista em voga no meio acadêmico, que atribuía os problemas psicológicos do Brasil à miscigenação.

Foi presidente da Academia Brasileira de Ciências no período 1926-1929.

Fonte: Wikipédia

Leia também:

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/reportagem-psiquiatria-sem-preconceito

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Marie Maynard Daly, bioquímica (1921-2003)



Marie foi a primeira negra norteamericana a se tornar Ph.D. em química, na Universidade de Columbia, em 1947.


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Shirley Ann Jackson, física



Shirley Ann Jackson foi a primeira mulher negra a conseguir um doutorado em Física pela prestigiada MIT – Instituto de Tecnologia de Massachussets – em 1973. Hoje em dia ela é reconhecida como uma das mais famosas cientistas negras, tendo suas pesquisas contribuído para o avanço tecnológico que possibilitou a invenção do fax portátil, do clássico telefone de cordinha, de células solares, cabos de fibra ótica e da tecnologia por trás do identificador de chamadas.

Fonte: 
https://iq.intel.com.br/como-a-dra-shirley-ann-jackson-desafiou-as-barreiras-raciais-e-de-genero-para-tornar-se-o-exemplo-maximo-em-ciencia





terça-feira, 12 de setembro de 2017

Yasuke, samurai


Japão não é um lugar que seria normalmente associado a presença de escravos oriundos da África. No entanto, no final do século 16, Oda Nobunaga, o mais poderoso senhor da guerra do Japão, tinha um escravo africano que não era apenas uma curiosidade cultural, mas também seu guarda-costas e que alcançou bastante prestígio entre os japoneses daquele tempo.

Em meados do século XVI, a costa do Japão começou a ser frequentada por navios espanhóis e portugueses, que na época já navegaram pelo Oceano Pacífico. Além das sedas e especiarias, esses comerciantes levavam como parte da tripulação missionários católicos, principalmente jesuítas, ansiosos para reunir almas frescas ao Senhor por aquelas terras pagãs.


Havia poucos nobres japoneses que via com curiosidade, até mesmo com bons olhos, esta nova religião e os estrangeiros barbudos. Um desses entusiastas era Oda Nobunaga, o primeiro dos três grandes unificadores do império insular, que em 1580 tinha conseguido colocar metade do país sob o seu controle e mantinha a outra metade em uma rédea curta. Sem exagero ele podia ser considerado o rei do Japão.


Homem de inteligência inquieta e visão avançada, Nobunaga recebeu de forma digna os jesuítas e, embora se converter ao cristianismo não estava nos seus planos, gostava de receber os religiosos em audiência para saber como era o mundo quinhentista além dos limites do arquipélago japonês.


Mas as crônicas contam que um dia a paz que Nobunaga tanto se esforçou trazer para a capital japonesa foi subitamente interrompido pela chegada de um pitoresco convidado.
Em 23 de março de 1581 desembarcou o italiano Alessando Valignano, padre visitador (inspetor) dos jesuítas. Este trazia em sua comitiva um mauro vassalo, tão negro como os etíopes da Guiné. Alguém cujo nome verdadeiro é até hoje desconhecido, mas a quem os japoneses logo batizaram como Yasuke (弥 助). De acordo com a Histoire ecclésiastique Et Des Isles Du Japon royaumes, escrita pelo jesuíta François Solier em 1627, Yasuke era nativo de Moçambique, mas outros relatos afirmam que ele veio do Congo.
As origens desta jovem impressionante ainda estão não totalmente conhecidas. Historiadores japoneses contemporâneos acreditavam que ele tinha sido vendido a Valignano em algum lugar no Congo; no entanto, estudos recentes mostram que ele pode ter sido um membro da etnia Makua de Moçambique, e que seu nome original era Yasufe. Moçambicano ou Congolês não se sabe, bem como se Yasufe , ou Yasuke, foi a primeira pessoa negra a pisar no Japão, uma vez que não era raro encontrar escravos africanos em galeões e caravelas da época. Mas, ao que parece, ele deve ter sido o primeiro negro visto na capital japonesa, Quioto, a então capital do Japão Imperial, sendo substituída por Tóquio em 1868.
 

Consta em um dos relatos que Yakuse teria cerca de um metro e noventa de altura e, se assim foi, a sua alta estatura teria sido muito imponente para os japoneses da época.
Uma multidão febril lotava dia e noite às portas da residência dos jesuítas. Havia brigas a pedradas para pegar um bom lugar para começar a vislumbrar aquela pessoa tão diferente para os japoneses. Todo mundo queria ver esse misterioso homem de pele morena como o carvão. As autoridades tiveram de intervir para pôr ordem neste caos.


Nobunaga, a maior autoridade em Quioto, quando soube de todo aquele barulho convocou os jesuítas ao tribunal para conhecer a pessoa que causa de tanto alvoroço. Em 27 de março de 1581 Yasuke foi levado perante Nobunaga e este não podia acreditar que a aquela pele negra era real. Na verdade, suspeitando que os jesuítas estivessem tentando pregar-lhe uma peça, pensou que o grande homem da pele de cor de ébano na verdade estivesse coberto de betume. Nobunaga ordenou que seus vassalos lavassem o pobre escravo. Só depois de ver que lavagem após lavagem nada se alterava na pele do africano, Nobunaga se convenceu de que ali não havia nenhuma broma. Ele tinha diante dos seus olhos um homem negro como a noite sem lua.


Nobunaga ficou encantado com a descoberta e conseguiu dos jesuítas que Yasuke se colocasse ao seu serviço. Mas Yasuke, um homem que dominava várias línguas, seria mais do que apenas uma nova adição à coleção de raridades de Nobunaga. As crônicas da época o descrevem assim: parecia ter entre 26 e 27 anos, grande, escuro, com a força de dez homens e possuindo bom senso.


Abundavam rumores de que o escravo ia ser feito um Daimyo (um senhor fundiária japonês), mas de concreto os registros dos jesuítas apontam que Nobunaga deu a Yasuke uma casa para ele morar e uma espada katana. Nobunaga também lhe atribuiu o dever de levar a sua lança pessoal e vestir uma armadura, privilégio normalmente reservado apenas para os nascidos em famílias de samurais. O africano se tornou um proeminente membro da comitiva real, a ponto de despertar ciúmes e intrigas no palácio.


Informam que Nobunaga ficou tão satisfeito com os serviços de Yasuke que existe a suspeita que ele, embora não haja nenhum registro, acabaria por ser nomeado samurai. Este último fato é extremamente improvável, mas sabendo que o poderoso Oda Nobunaga tinha um gosto pela excentricidade essa história pode não ser totalmente descartada.
Como um samurai


Nobunaga morreu em 1582 em uma noite fatídica, através de um ataque traiçoeiro de um de seus próprios generais, Akechi Mitsuhide. Este é um dos episódios mais famosos da história do Japão e passados mais de 400 anos ainda não são claras as razões dos acontecimentos.


Consta que Mitsuhide decidiu se rebelar contra seu mestre e atacou de surpresa o templo Honnõ-ji em Quioto, onde Nobunaga passou a noite pacificamente protegido por uma pequena guarnição antes da reunião com o grosso de suas tropas da batalha. Ao amanhecer, as chamas tinham consumido Honnõ-ji até o chão e o corpo de Nobunaga desapareceu para sempre nas cinzas.


Relatos apontam que Yasuke fazia parte da pequena guarnição leal e teria, após a morte de Nobunaga, acompanhado Oda Nobutada, o filho do seu senhor, na retirada para o Castelo Azuchi. Com uma pequena força de 300 homens o castelo foi cercado pelas forças vastamente superiores de Mitsuhide e a maioria das tropas leais ao Nobutada foi morta. Yasuke lutou ao lado das forças de Nobutada por um longo tempo, enfrentado os inimigos do filho do seu senhor como um verdadeiro samurai e tentando evitar o inevitável.
Yasuke sobreviveu à batalha, mas, ao invés de cometer suicídio (a tradição samurai quando enfrenta derrota) ele entregou sua espada para os homens de Akechi (a tradição ocidental) e esperou o seu destino. Sem saber como proceder, os soldados foram busca orientação com seu senhor.


 Akechi revelou-se intolerante, afirmou que o africano era apenas uma besta e não um verdadeiro samurai e, portanto, não se podia conceder a honra do seppuku (suicídio ritual). Akechi entregou Yasuke para o “templo bárbaro” (isto é, a igreja dos jesuítas em Quioto) e os religiosos tomaram conta dele.


Não se sabe exatamente o que aconteceu com Yasuke. Alguns afirmam que ele voltou à sua terra natal e introduziu o kimono para o seu povo, outros que ele se juntou a uma das comunidades crescentes de estrangeiros que foram prosperando em grandes cidades portuárias do Japão. Mas as chances maiores são que ele, sob a tutela dos jesuítas, teria sido envia a Goa, na Índia, ou em outra parte de suas missões na Ásia. O africano é mencionado em algumas das 1.581 cartas dos jesuítas Luís Fróis e Lorenço Mexia e no Relatório Anual de 1582 da Missão Jesuíta no Japão. 


É interessante que no espaço de um ano esse escravo da distante África foi elevado a mais alta classe guerreira japonesa, uma ocorrência quase única na história e tinha sido envolvido em um evento que mudou o curso da história japonesa. Samurai ou não, Yasuke pode se orgulhar de ter servido na corte do senhor mais poderoso do Japão. Nada mal para alguém que provavelmente começou a sua jornada nas correntes de um navio negreiro.


Apesar disso não sabemos quase nada sobre ele, embora Yasuke não passou totalmente despercebido no Japão moderno e se tornou assunto de uma ficção histórica infantil chamada Kuro-suke, lançada na década de 1960.


Fontes: 

JAVIER SANZ – – http://historiasdelahistoria.com/2015/07/21/un-samurai-negro-en-la-corte-del-senor-mas-poderoso-de-japon
https://ptanime.com/yasuke-o-unico-samurai-africano/

– https://en.wikipedia.org/wiki/Yasuke
– http://enterjapan.me/yasuke/
The Chronicle of Lord Nobunaga – Ota Gyuichi;
Histoire et des Isles ecclésiastique royaumes du Japon – François Solier





Estátua de Yasuke, da autoria da artista sul-africana Nicola Roos


Ilustração de Oda Nobunaga e Yasuke.










Ilustração de Chris Schweizer

Obtido em:
https://tokdehistoria.com.br/2015/07/23/um-samurai-negro-na-corte-do-mais-poderoso-senhor-do-japao

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Ângelo Soliman, o maçom que modificou seu destino e o pensamento europeu (1721-1796)




 (*) Por Ir.'.  Francisco Feitosa

Um ex-escravo, que ganhou notoriedade e modificou seu destino e, em parte, o pensamento europeu em pleno “Século das Luzes”.


Não se sabe, bem ao certo, a origem de Angelo Soliman. Calcula-se ter nascido em 1721 e, provavelmente, tenha pertencido ao grupo étnico Kanuri, que viveu na Nigéria e Camarões. Seu nome original era Mmadi Faça, estando ligado a uma classe principesca no Estado de Sokoto, no atual nordeste da Nigéria. Ele foi levado cativo, em 1728, ainda, quando criança e chegou em Marselha como um escravo, eventualmente, transferido para a casa de uma marquesa em Messina, que supervisionou sua educação. Em lá chegando, passou a ser afeto de outra escrava da casa, de nome Angelina, quando adotou o nome de Angelo e escolheu o dia de seu batismo cristão, 11 de setembro, para celebrar como seu aniversário.

Depois de repetidos pedidos, ele foi dado, como um presente, em 1734, ao príncipe Johann Georg Christian, o governador imperial da Sicília. Angelo se tornou manobrista e companheiro de viagem do príncipe, acompanhando-o em campanhas militares por toda a Europa e teria lhe salvado a vida em determinada ocasião, um evento crucial, responsável por sua ascensão social. Devido à educação recebida, dominava, fluentemente, o alemão, o italiano, o francês, o tcheco, o inglês e o latim.

Após a morte do príncipe Johann Georg Christian, foi levado para Viena, para a família de Joseph Wenzel I, príncipe de Liechtenstein, onde, posteriormente, chegou a ser chefe dos escravos. Mais tarde, ele se tornou tutor real de Aloys I, herdeiro do Príncipe, filho de seu sobrinho Franz Joseph I.

Em 06 de fevereiro de 1768, Angelo se casou com Magdalena Christiani, a viúva de Harrach'schen, irmã do general francês François Etienne de Kellermann (1770 -1835), general de Napoleão Bonaparte, Duque de Valmy e Secretário de Anton Christiano. Sua única filha, Josephine, nasceu em 1772 e, em 1786, morre sua esposa Magdalena Soliman. Seu neto foi o renomado austríaco, médico, poeta e filósofo Ernst, Baron von Feuchtersleben.

Devido a sua cultura, era altamente respeitado nos círculos intelectuais de Viena e considerado um amigo de muito prestígio pelo imperador austríaco José II e pelo marechal do campo austríaco Franz Moritz von Lacy. Em 14 de novembro de 1781, ele foi iniciado na loja maçônica "True Harmony", cujos membros incluíam muitos dos artistas e estudiosos da época, influentes de Viena, entre eles os músicos Wolfgang Amadeus Mozart e Joseph Haydn, assim como o poeta húngaro Ferenc Kazinczy.

Os registros da Loja indicam que Angelo e Mozart se reuniram em várias ocasiões. É provável que o personagem “Bassa Selim”, na ópera de Mozart “O Rapto do Serralho” foi baseada no Irmão Angelo Soliman. Mais tarde, foi eleito Venerável Mestre de sua Loja, em 21 de outubro de 1782, e durante sua administração enriqueceu o seu ritual, incluindo elementos acadêmicos, além das instruções habituais.  Esta nova orientação maçônica, rapidamente, influenciou a prática maçônica em toda a Europa. Angelo Soliman, ainda, é celebrado na Maçonaria como "Pai do Puro Pensamento Maçônico", tendo seu nome, normalmente, transliterado como "Angelus Solimanus".

Durante sua vida foi considerado como um modelo de assimilação e perfectibilidade dos africanos, e com a sua morte, tornou-se, literalmente, um exemplo da "raça africana".





Iris Wigger e Katrin Klein distinguiram quatro aspectos para Soliman - o "Mouro Real”; o "Nobre Mouro"; o "fisionômico Mouro"; o "Mouro mumificado". As duas primeiras denominações referem-se aos anos antes da sua morte. O termo "Mouro Real" designa Soliman no contexto de mouros escravizados em tribunais europeus, onde a cor da pele marca sua inferioridade, figurando como símbolo de “status betokening”, o poder e a riqueza de seus proprietários. Desprovido de sua ascendência e cultura original, Soliman foi degradado a um "sinal exótico oriental da posição de seu senhor", que não foi autorizado a viver uma existência autodeterminada.



A designação "Nobre Mouro" descreve Soliman como um ex-Mouro, cuja ascensão na escala social, devido a seu casamento com uma mulher aristocrática, fez sua emancipação possível. Durante esse tempo, Soliman tornou-se membro da Maçonaria e foi considerado “quase” igual aos seus colegas maçons, mas ele continuou a enfrentar um emaranhado de preconceitos de raça e classe.

Sob a aparência de uma superfície de integração, espreitava-se o destino notável de Soliman. Embora ele tenha mudado suavemente na alta sociedade, a qualidade exótica atribuídas a ele não estava perdida e, ao longo de sua vida, foi transformada em uma característica racial.

As qualidades utilizadas para categorizar Soliman como um "Mouro Fisionômico" foram estabelecidos pelos pioneiros vienenses etnólogos, durante sua vida, emoldurado por teorias e hipóteses relativas à raça africana.

Ele não podia escapar à vista taxonômico, que incidiu sobre características raciais típicos, ou seja, cor da pele, textura do cabelo, tamanho e forma do nariz e lábio. Nem sua posição social, nem sua filiação aos maçons, poderiam impedir sua exploração póstuma, levando ao seu estatuto final como o "Mouro Mumificado".

Em vez de um receber um enterro cristão, Soliman foi - a pedido do diretor da coleção da história imperial Natural – mumificado e exposto no Kunstkammer – o Gabinete de Curiosidades.

Olhando para os dados tradicionais com precisão e em um contexto mais amplo, em seguida, deve-se presumir que, Soliman tinha doado o seu corpo por sua própria decisão em vida. Após a morte de Soliman, em 21 de novembro de 1796, saiu o seu corpo para a escola de medicina, a fim de fazer experiências médicas, ou seja, da Universidade de Viena. Um funeral foi realizado em 23 de novembro, apenas, com seus intestinos, a contragosto de sua filha, que exigiu seu corpo, em 14 de dezembro de 1796, mas em vão.

Enfeitada com penas de avestruz e contas de vidro, sua múmia esteve em exposição até 1806, ao lado de animais empalhados, transformado, a partir de um membro respeitável da sociedade intelectual vienense, em um espécime exótico.

Desconsiderando Soliman de suas insígnias e suas realizações ao longo da vida, etnólogos, como o que eles imaginavam, considerava-o ser um exemplar de "africano selvagem". Sua filha, Josephine, procurou fazer com que seus restos mortais fossem devolvidos à família, mas seus pedidos, jamais, foram atendidos.

Durante a Revolução de Outubro de 1848, em Viena, o museu foi incendiado após ser bombardeado, e a múmia do irmão Angelo foi queimada. Um molde de gesso de sua cabeça, ainda hoje, está exposto no Museu Rollett, em Baden, na Áustria. Foi feito um molde de gesso, pelo escultor Franz Thal, logo após sua morte, causada por um acidente vascular cerebral, em 1796.


(*) O autor é o Grande Bibliotecário do Supremo Conselho do Grau 33 do REAA da Maçonaria para a República Federativa do Brasil e o Titular da Cadeira nº 02 da Academia Maçônica Fluminense de Letras.



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Arthur Timótheo Da Costa, pintor (1882 - 1922)




Retrato do Escultor Eduardo Sá
Estudou na Casa da Moeda do Rio de Janeiro e, posteriormente, na Escola Nacional de Belas Artes. Foi pintor de paisagens e figuras, destacando-se entre essas nus e retratos. Algumas de suas paisagens impressionam pela textura, pela luminosidade e pela intensidade do colorido. Esteve na Europa onde manteve contatos artísticos que o influenciaram.

Com o irmão João Timóteo da Costa, Arthur iniciou-se como aprendiz da Casa da Moeda. No livro Pinturas & pintores do Rio Antigo, Donato Mello Júnior informa que “muito contribuiu, no 

início da sua carreira, a vivência com o cenógrafo italiano Oreste Coliva“.

Ingressou na Escola Nacional de Belas Artes em 1894, como aluno livre, tendo sido orientado por Zeferino da Costa, Rodolfo Amoedo e Henrique Bernardelli. Em 1907, conquistou o prêmio de viagem à Europa na Exposição Geral de Belas Artes, seguindo então para Paris. Com o irmão João Timótheo e os irmãos Carlos Chambelland e Rodolfo Chambelland, participou em 1911 dos trabalhos de decoração do pavilhão brasileiro da Exposição Internacional de Turim, na Itália.

A Dama de Verde (1908)

Menino com Melancia (1889)


Retrato de Negro

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Gilda Portela, artista plásica e historiadora

Série "Teresa" (giz pastel)

Historiadora, natural de Barra do Garças-MT, há trinta anos fincou raízes na capital, descobrindo-se pintora nos últimos anos. Exibiu em novembro de 2015, no Colégio Estadual Ferreira Mendes as primícias de suas cores; Em março e abril de 2016 mostrou suas obras em piso plástico e óleo sobre tela, na Feira Sustentável no “Gran Bazar Pac”, em Cuiabá; Convidada da Secretaria de Cultura do Estado, expôs suas telas numa série  intitulada de “OS ORIXÁS” em abril e maio de 2016, no Centro Cultural Casa Cuiabana; Em  abril de 2016 esteve presente no Grupo União Consciência Negra, GRUCON, em Cuiabá-MT com a exposição “Os orixás”; Em maio de 2016 participou do “I Seminário Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso” em Cuiabá-MT com a mesma exposição; Fez o Curso História da Arte, no MACP na Universidade Federal de Mato Grosso, com a crítica de arte Aline Figueiredo; Em Junho , Agosto e Setembro participou da “Roda de Ciranda”–Tambor de Crioula, na Praça da UFMT em Cuiabá-MT com a exposição “Os Orixás”; Em junho esteve no Centro Cultural da UFMT a convite do grupo “Negro Coletivo” de Cuiabá-MT com a  exposição ‘’Mulheres Negras’’; Refinou sua sensibilidade participando do “Curso de Pintura” com o artista plástico Benedito Nunes na Casa Cuiabana; Participou do Concurso de Pintura e Desenho 2016, Padre João Maia, “Diálogos Intergeracionais” no município de Vila de Rei, em Portugal e participou do curso e da exposição de “Cianotipia” pelo Sesc Arsenal, Cuiabá-MT.  Participou em Setembro do Curso Curadoria de Artes com o Consultor José Serafim Bertoloto. Faz parte da exposição: Tinta, papel e arte, uma coletiva de desenhos e pinturas sobre papel do Ateliê Livre Benedito Nunes no Centro Cultural da Casa Cuiabana ate 30 de setembro de 2016 com a série “TERESA” em giz pastel. Em outubro integra uma exposição coletiva “FLORES DA CHAPADA” no Centro Cultura da Casa Cuiabana.


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"Marcas da Vida"

terça-feira, 21 de junho de 2016

Thabata, cantora



Vinda do nordeste brasileiro, de Imperatriz do Maranhão, crescida na periferia de Brasília, Thabata convive desde muito cedo com as dificuldades sociais vividas pela população negra do país. 

Em sua adolescência, influenciada pelo RAP que ecoava nas vielas da cidade, encontra colo para suas indagações, fortalecendo assim seu intelecto.

Anos mais tarde, vivendo em Natal (RN) Thabata dá início a sua carreira musical, utilizando o rap como forma de expressão nas rodas de improviso. No ano de 2005, de volta a Brasília assumindo-se como Mc, sua ancestralidade vem à tona com a descoberta da Cultura Popular Brasileira, um misto de memória e surpresa alimentada pela embolada, o repente e o samba de coco, que enriquecem o seu trabalho musical. Ano que teve contato com a Rede Mocambos, com quem atua até hoje.

Durante 10 anos imersos em trabalhos culturais, além de cantora, torna-se arte - educadora de tradição oral e teatro de mamulengo na Casa Moringa, local onde são realizadas trocas de saberes, oficinas e apresentações artísticas, situada no Espaço Cultural Mercado Sul em Taguatinga-DF.

A necessidade de associar sua bagagem cultural, fez com que a artista lançasse em 2014 o Cd "Novidades Ancestrais”, seu primeiro trabalho autoral, resultado de treze anos de carreira. O disco conta com onze composições que enfatizam o empoderamento da raça negra unindo a atitude do RAP enraizado nos batuques nordestinos e trazem à tona, questões como religião e visão de mundo, representando as diferentes fases da artista.

As composições trouxeram ainda as influências e pesquisas pessoais dos músicos que fizeram parte do trabalho, formando a banda Thabata e Dona Imperatriz, composta por Lieber na bateria, Candido Mariano no baixo, Vitor Fernandes na guitarra, Felipe Fiuza na percussão e mais algumas participações especiais, como o maestro e saxofonista Ademir Júnior. 

Contatos: (61) 8616-4395 (61) 8560-3020

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terça-feira, 3 de maio de 2016

Josafá Neves, artista plástico





Nascido em Brasília, em 20 de setembro de 1971. Aos 5 (cinco) anos sonhava em ser artístico plástico. Desde essa época, já observava proporção, perspectiva, cores e formas no meio que o cercava. Começou a desenhar no asfalto com giz, no papel, na parede do quarto e daí não parou mais. Em 1979 mudou-se com os seus pais e irmãos para Goiânia. Aos 12 anos, já trabalhava como arte-finalista em agência de comunicação e, aos 15 (quinze), como ilustrador. Trabalhou também como designer e projetista. Estudou canto e instrumentos de cordas e, em 1996, começou a se dedicar integralmente aos estudos e à prática da arte. Participou de performances e de exposições coletivas e individuais com óleo sobre tela, escultura e cerâmica. Foi selecionado em vários concursos e salões. Atualmente, dedica-se seu tempo integral à arte. É nesta que se fortalece e permanece fiel.

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http://josafaneves.com.br


"Flautista" 
"Flores" 
"Gorila" 
"Gurdiã"

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Valdemir dos Santos Pereira, o Sertão, pugilista


Valdemir dos Santos Pereira, nasceu em Cruz das Almas, Bahia, em 1974. É conhecido como Sertão, é pugilista brasileiro e campeão mundial da categoria "pena".

Diz-se que toda estrela do boxe precisa de um título expressivo para garantir um estilo de vida confortável, ou uma aposentadoria robusta. Mas a recíproca não é verdadeira. Último brasileiro campeão mundial, o baiano Valdemir Pereira, o 'Sertão', vive, hoje, da mesma forma que antes da carreira: mora em uma casa humilde na sua cidade natal, Cruz das Almas, e trabalha numa loja de departamentos local.

Na casa de Sertão, o cinturão mundial é agora mais um adereço da sala de estar. Seu destaque, hoje, é ficar na prateleira acima da TV. Os outros são jornais antigos e pôsteres de lutas, além do famoso chapéu sertanejo, que o acompanhava na entrada dos ringues.
Agora, preso na parede, leva nostalgia à cozinha. O boxe virou, para ele, um museu de si próprio, de uma época que não reflete mais o homem que ele é hoje.

"Queria poder dar aulas para crianças, esses meninos que estão aí correndo na rua", explica, aproveitando a deixa dos gritos da brincadeira de pega-pega dos moleques naquele fim de tarde. Ele reclama que não existem iniciativas que permitam a ele  trabalhar com o esporte e que, hoje, ele passa por dificuldades.

Para o treinador Luiz Dórea - que treinou o cruzalmense no início de carreira -, o destino de Sertão, campeão dos médios pela FIB em 2006, foi fruto de uma série de desventuras: "Foi tudo muito rápido. Ele foi campeão mundial por muito pouco tempo, porque perdeu logo depois. E, na hora da revanche, descobriu que tinha uma doença infecto-contagiosa e não poderia mais lutar", lamenta o treinador.

Desde então, o ex-campeão deixou para trás a vida de atleta em São Paulo e voltou para a cidade natal, de onde nunca mais saiu. "Quando ele ia começar a ganhar dinheiro com o boxe, ele parou de lutar. Não teve a estrutura que outros campeões como Popó teve. Isso prejudicou muito Sertão. Se ele tivesse lutado mais vezes, mesmo que não tivesse resgatado o título, teria ganhado mais dinheiro", opina Dórea, que também formou Acelino 'Popó' Freitas.

Ainda que tenha voltado ao ponto de partida, o ex-pugilista orgulha-se de ter sido um dos melhores do mundo: "Aqui, não sou tão reconhecido como em São Paulo, por exemplo. Me sustento com um salário mínimo. Eu queria ter um dinheiro melhor no fim do mês? Claro! Mas estou bem, sou feliz. As pessoas falam que eu perdi tudo, mas eu cheguei ao topo. Eu fui campeão mundial", gaba-se.

Em abril, Sertão corrigiu uma das coisas que mais o incomodava. Somente através de uma vaquinha de amigos e radialistas o ex-lutador pôde viajar a São Paulo para rever os dois filhos do antigo casamento, que não via desde quando voltou para Cruz das Almas, em 2006. Além do casal, Sertão tem mais um filho, de 18 anos, que vive em Cruz das Almas.
O ex-pugilista chegou a participar de um programa esportivo da prefeitura de Cruz das Almas e diz  ter trabalhado em uma escola privada de boxe. As duas experiências, porém, duraram pouco.
De acordo com Mario do Jornal, atual vereador que foi secretário do Esporte de Cruz das Almas, Sertão foi, por seis meses, assistente num projeto da prefeitura em 2009. No entanto, no ano seguinte, o projeto não teve continuidade.

"Na época, eram 12 núcleos esportivos, o boxe era um deles. Sertão era assistente de instrutor, porque todos os instrutores precisam de formação em Educação Física. É assim com qualquer projeto que tenha ligação com autarquias estaduais (como a Sudesb) e empresas como a Petrobras, que é patrocinadora do nosso Centro de Referência do Esporte", explica o político.

Para Luiz Dórea, o ideal para Sertão seria viver como treinador ou instrutor de boxe na cidade natal, já que Cruz das Almas revelou outros talentos na modalidade, como os meio-pesados Washington Silva e Cleiton Conceição.

"Cruz das Almas é um celeiro. De lá, vieram grandes atletas. Por que a prefeitura não ajuda a formar novos campeões? O Brasil só ajuda o atleta quando ele está em cima. Não aposta na base. Por que não apostam nas crianças? Por que uma empresa privada não aposta nisso?", questiona o treinador. "A prefeitura deveria usá-lo em programas sociais, ou colocá-lo numa escolinha para a formação de novos atletas", defende.

"Cruz das Almas é um celeiro. De lá, vieram grandes atletas. Por que a prefeitura não ajuda a formar novos campeões? O Brasil só ajuda o atleta quando ele está em cima. Não aposta na base. Por que não apostam nas crianças? Por que uma empresa privada não aposta nisso?", questiona o treinador. "A prefeitura deveria usá-lo em programas sociais, ou colocá-lo numa escolinha para a formação de novos atletas", defende.

Já o jornalista esportivo Wilson Baldini Jr acredita que o ex-atleta ficou muito tempo "escondido", e que a insistência em não sair de Cruz das Almas pode dificultar sua reinserção no boxe. "Talvez, se ele fosse para Salvador, conseguiria achar uma escola para dar aula com mais facilidade. Mas não ajuda o fato de ele ter se isolado quando perdeu o título. As pessoas esquecem", justifica.

Texto:
Juliana Lisboa e Vitor Villar
A Tarde

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Jorge Coutinho e Edyr Duque, peça "Circo Pasmado" (1965)


"Eu e a bela Edyr Duque, na época Edyr de Castro, em "Chico do Pasmado" de Aurimar Rocha e Renato Sérgio, que estreamos em setembro de 1965 no Teatro de Bolso, em Ipanema, com música de Billy Blanco. Eu interpretava o personagem "Chico do Pasmado" e em uma das músicas, havia a que falava sobre o direito de escolha. O que eu sinto hoje é que não podemos dar voz a nossas opiniões sem sermos julgados ou mal interpretados, não podemos mais opinar nosso próprio direito de escolha sem sermos atacados pelos os que discordam de nós. Então, quero dizer e deixar claro que sou: negro, espírita, vascaíno, mangueirense, um dos fundadores da UNE, do Opinião, do MDB e estou nesta brincadeira desde 1959."

Jorge Coutinho



Oswaldo de Camargo, escritor, jornalista e ativista do movimento negro



Oswaldo de Camargo é jornalista, poeta, contista, novelista e músico amador. Acha pouco? Saiba que provavelmente seja a maior autoridade brasileira em literatura negra. Desde os 17 anos, Oswaldo de Camargo dedica-se a literatura e a seu acervo literário, um dos mais brilhantes quando o assunto é negritude. É um dos responsáveis pela inclusão da literatura negra no circuito cultural do Brasil.


Dono de um raciocínio ágil e aguçada inteligência, Oswaldo de Camargo surpreende por todo conhecimento que possui sobre os escritores negros brasileiros e livros que tratam da temática negra. 

Nasceu em Bragança Paulista/SP, em 1936. Dos 12 aos 17 anos estudou no Seminário Menor Nossa Senhora da Paz, em São José do Rio Preto, de onde saiu em 1954. Estudou piano e harmonia no Conservatório Santa Cecília, em São Paulo.

Estreou em 1959, com o livro de poemas "O homem Tenta Ser Anjo", no tempo em que era diretor de cultura da Associação Cultural do Negro, em São Paulo, e trabalhou como revisor no Jornal Estado de São Paulo, empresa na qual iniciou sua carreira no jornalismo, em 1955. 

Seu segundo livro, "15 Poemas Negros" é de 1961, marcado por um prefácio de Florestan Fernandes. Na prosa, estreou com o livro de contos "O carro do Êxito", de 1972, seguido da novela "A Descoberta do Frio", de 1978, e os poemas de "O Estranho". Em 1987, teve editado pela Secretaria de Estado da Cultura o livro "O Negro Escrito - Apontamentos da Presença do Negro na Literatura Brasileira".

Tem poemas e contos traduzidos para o alemão, francês e espanhol.

Recebeu, em 1998, da Secretaria da Cultura de Santa Catarina, a "Medalha Cruz e Souza", pelas publicações e estudos em jornais e revistas sobre o poeta. Atualmente, é coordenador de literatura do Museu Afro Brasileiro, em São Paulo.

Em 2015, recebeu da Câmara Municipal de São Paulo o título de Cidadão Paulistano.

Obras:

- Um Homem tenta ser Anjo - Poemas, Edição do autor, apresentação de Sérgio Milliet e prefácio de José Pedro Galvão de Souza, 1959;
- 15 Poemas Negros - Série Cultura Negra, da Associação Cultural do Negro, com um estudo do prof. Florestan Fernandes, 1961;
- Nova Reunião da Poesia do Mundo Negro - 3 poemas, antologia organizada por Léon Damas, Paris, 1967;
- Antologia dos Poetas da Cacimba - 2 poemas, 1967;
- O Carro do Êxito - Contos, Editora Martins, Apresentação de Jane M. McDivitt, ilustrações de genilson, 1972;
- A Descoberta do Frio - Novela, Edições Populares, Apresentação de Clovis Moura, ilustrações de Luiz Boralli, 1979;
- O Estranho -Ed. Rowitha Kempf , 1984;
- A Razão da chama - Antologia dos Poetas Negros Brasileiros (organização),GRD, 1986;
- O Negro Escrito - Apontamentos sobre a presença do negro na Literatura Brasileira, Secretaria de Estado da Cultura, Acessoria de Cultura Afro-Brasileira, capa e projeto grafico Ubirajara Motta, 1987;
- Solano Trindade, poeta do povo - Aproximações, Com-Arte-Editora Laboratório do Curso de Editoração, USP,2009.

Visite:
http://oswaldodecamargo.blogspot.com.br



Os negros são mais geniais do que supõe nossa vã filosofia

Tem gente que acredita que os negros só inventaram a cachaça, a feijoada e o samba. Este blog pretende mostrar que o mundo é mais negro do que supõe nossa vã filosofia: negros inventores, cientistas, autores, esportistas, líderes, etc.

 

© 2013 Rogério de Moura